Nesta lição, vamos explorar o alfabeto da música com a ajuda do teclado. Para começar, dê uma olhada neste diagrama. Você percebe algum padrão na disposição das teclas?

O padrão é formado por 12 teclas diferentes e se repete para cima e para baixo. Veja um desses grupos, com 7 teclas brancas e 5 teclas pretas. E, claro, cada uma dessas teclas é uma nota musical diferente.

Essas 7 teclas brancas levam os nomes das sete notas musicais. Começando pelo lá, temos: lá, si, dó, ré, mi, fá e sol. Depois do sol, o padrão recomeça e encontramos outro lá. (Em inglês, essas mesmas notas recebem o nome das 7 primeiras letras do alfabeto, e é daí que vem a expressão “alfabeto musical”. Aqui no Brasil, essas letras são as conhecidas cifras: A = lá, B = si, C = dó, D = ré, E = mi, F = fá e G = sol. Você vai encontrá-las o tempo todo na música popular, nas cifras de acordes e em diagramas como este.)

Acidentes
As teclas pretas recebem seus nomes com a ajuda de um destes 2 símbolos, chamados acidentes: o sustenido ou o bemol. A função do sustenido é elevar uma nota em uma tecla (ou, em outras palavras, em um passo). O símbolo lembra o jogo da velha (#), mas não é exatamente igual:

Então, se pegarmos a nota dó e acrescentarmos um sustenido, chegamos à tecla preta logo acima dela, que se chama dó sustenido. Se pegarmos a nota fá e colocarmos um sustenido ao lado, chegamos à nota logo acima, o fá sustenido:

Já a função do bemol é abaixar uma nota em uma tecla do piano (ou seja, em um passo). Este é o símbolo dele:

Então, se pegarmos a nota mi e colocarmos um bemol ao lado, chegamos à tecla preta logo abaixo dela, que se chama mi bemol. E, se quisermos chegar à nota que fica logo abaixo do si, basta colocar um bemol ao lado dele, e temos o si bemol:

Portanto, o alfabeto musical completo tem 12 notas: as 7 teclas brancas, de dó a si (de C a B, em cifras), e as 5 teclas pretas, que recebem nomes com sustenidos ou bemóis.

Notas enarmônicas
Uma nota pode ter dois nomes (ou grafias) diferentes por causa do jeito como os sustenidos e os bemóis funcionam. O sustenido eleva qualquer nota em um passo, enquanto o bemol a abaixa. Assim, por exemplo, um passo acima do dó é dó sustenido, e um passo abaixo do ré é ré bemol, mas nos dois casos chegamos à mesma nota.
Quando um mesmo som tem grafias diferentes, falamos em “notas enarmônicas”. O dó sustenido e o ré bemol do nosso último exemplo são enarmônicos. O si bemol e o lá sustenido também são.
A diferença entre as grafias possíveis de uma nota vai ser importante mais adiante, quando montarmos escalas e acordes. Por enquanto, basta saber que ela existe.
O bequadro
O bequadro é o terceiro acidente. Sua função é cancelar qualquer sustenido ou bemol que tenha aparecido antes dele, levando a nota de volta à tecla branca (natural). Isso é especialmente importante porque os sustenidos e os bemóis continuam valendo até o fim do compasso, e é o bequadro que devolve a nota ao seu estado original.
Este é o símbolo do bequadro:

Os acidentes são sempre escritos à esquerda da cabeça da nota:

Tons e semitons
O “semitom” é a menor distância possível no teclado: a distância entre duas notas vizinhas, uma imediatamente ao lado da outra. O “tom”, por sua vez, equivale a dois semitons: é a distância entre duas notas que têm outra nota no meio. Esses termos são importantes porque aparecem o tempo todo na teoria musical. Por exemplo: o alfabeto musical é formado por 12 semitons. A função do sustenido é elevar a nota em um semitom. E a função do bemol é abaixá-la em um semitom.
E assim chegamos ao fim da parte 3 da série Como ler música. Quando se sentir à vontade, siga para a última parte da série: Os nomes das notas!